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2010/04/06

Biomusicologia: O som e música nos seres vivos - TSF

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2010/04/01

RADIESTESIA E RADIÓNICA - WORKSHOP - Biomusicologia®

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BIOMUSICOLOGIA NA TSF - Biomusicologia®

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2008/07/06

A CONSCIÊNCIA BÚDICA



* C. W. Leadbeater
Todos os estudantes estão teoricamente familiarizados com a idéia do plano búdico e sua maravilhosa característica de unidade de consciência; mas a maioria deles provavelmente considera a possibilidade de obter qualquer experiência pessoal daquela consciência como algo pertencendo ao longínquo futuro. O completo desenvolvimento do veículo búdico para a maioria de nós ainda está distante, pois isso pertence ao estágio da Quarta Iniciação, a de Arhat; mas talvez não seja inteiramente impossível para os que ainda estão longe daquele nível obterem algum toque deste tipo superior de consciência de uma maneira bastante diferente.

Eu próprio me conduzi ao longo do que poderia descrever como a linha mais usual e comum de desenvolvimento oculto, e tive de abrir meu caminho acima laboriosamente, conquistando um subplano após o outro, primeiro no mundo astral, depois no mental, e então no búdico; o que significa que eu tinha um completo domínio de meus veículos astral, mental e búdico antes que qualquer coisa me sucedesse que eu pudesse definir com certeza como sendo uma verdadeira experiência búdica. Este método é lento e cansativo, ainda que eu pense que tem suas vantagens no desenvolvimento da acuidade de observação, assegurando-me de cada passo antes de dar o próximo. Não tenho quaisquer dúvidas de que foi o melhor para uma pessoa do meu temperamento; de fato, provavelmente foi o único caminho possível para mim; mas isso não implica que outras pessoas não possam ter oportunidades bem distintas.

Aconteceu-me no decorrer de meu trabalho de entrar em contato com diversas pessoas que estão empreendendo treinamento oculto; e talvez o fato que desponta mais proeminentemente de minha experiência nesta direção é a maravilhosa variedade de métodos empregados por nossos Mestres. O treinamento é tão intimamente adaptado ao indivíduo que nenhum é igual ao outro; não só cada Mestre tem seu próprio plano, mas o mesmo Mestre adota um esquema diverso para cada discípulo, e assim cada pessoa é conduzida exatamente ao longo da linha que lhe é mais adequada.

Um exemplo notável desta variabilidade de método chamou minha atenção não faz muito tempo, e creio que uma explanação dele pode talvez ser de utilidade para alguns de nossos estudantes. Deixe-me primeiro lembrá-los da estranha maneira invertida com que o Ego se reflete na personalidade; o manas superior, ou intelecto, reflete-se no corpo mental, a intuição, ou buddhi, se reflete no corpo astral, e o próprio espírito, ou atma, de algum modo corresponde ao físico. Estas correspondências se apresentam como três métodos de individualização, e desempenham suas funções em certos desenvolvimentos internos; mas até há pouco não havia me ocorrido que elas poderiam ser levadas em conta de modo prático em um estágio muito precoce por quem aspira por progresso oculto.

Um certo estudante de natureza profundamente afetiva desenvolveu (como seria correto e apropriado fazer) um intenso amor pelo instrutor que havia sido designado por seu Mestre para assisti-lo no treinamento preliminar. Ele desenvolveu uma prática diária de formar uma forte imagem mental daquele instrutor, e então derramar seu amor sobre ele com toda a sua força, inundando por conseguinte seu próprio corpo astral de carmesim, e temporariamente aumentando-o enormemente de tamanho. Ele costumava chamar este processo de "expandindo a sua aura". Ele demonstrou uma aptidão tão notável neste exercício, e era-lhe tão obviamente benéfico, que um esforço adicional ao longo da mesma linha lhe foi sugerido. Recomendou-se-lhe que, mantendo a imagem claramente diante de si, e emitindo a força amorosa tão fortemente como sempre, tentasse elevar sua consciência a um nível superior e a unificasse com a de seu instrutor.

Sua primeira tentativa de fazer isso foi extraordinariamente bem-sucedida. Ele descreveu uma sensação de como se estivesse realmente subindo pelo espaço; ele encontrou o que supôs ser o céu como sendo um teto bloqueando seu caminho, mas a força de sua vontade parecia formar uma espécie de cone nele, que logo se tornou um tubo através do qual viu-se passando. Ele emergiu em uma região de luz ofuscante que ao mesmo tempo era um oceano de beatitude tão arrasadora que não poderia achar palavras para descrevê-lo. Não era em nada sequer semelhante ao que já havia antes sentido; arrebatou-o tão definitiva e instantaneamente como se uma gigantesca mão o tivesse agarrado, e infundido em toda sua natureza num instante uma corrente de eletricidade. Foi mais real do que qualquer outro objeto físico que jamais ele tivesse visto, e ao mesmo tempo, absolutamente espiritual. "Foi como se Deus tivesse me levado para dentro de Si, e eu senti a Sua Vida passando através de mim", ele disse.

Ele gradualmente se recompôs e foi capaz de examinar sua condição; e ao fazê-lo começou a perceber que sua consciência já não estava mais limitada como havia estado até então - que ele estava de algum modo simultaneamente presente em cada ponto daquele maravilhoso mar de luz; na verdade, que de um modo inexplicável ele próprio era aquele mar, mesmo que aparentemente ao mesmo tempo ele fosse só um ponto flutuando nele. Pareceu-nos que ele estava tateando em busca de palavras para expressar a consciência que, como disse Madame Blavatsky tão bem, tem "seu centro em toda parte e sua circunferência em parte alguma".

Uma percepção posterior lhe revelou que ele havia sido bem-sucedido na tentativa de unificar sua consciência à de seu professor. Ele viu-se integralmente compreendendo e compartilhando dos sentimentos do professor, e possuindo uma noção da vida muitíssimo mais larga e elevada do que jamais havia tido antes. Uma coisa que impressionou-o profundamente foi a imagem de si mesmo vista pelos olhos do professor; ela o encheu de uma sensação de indignidade, mas também de elevada determinação; como ele singularmente explicou.

"Eu me achei amando a mim mesmo através do intenso amor de meu instrutor por mim, e eu soube que eu poderia e me faria digno dele".

Ele sentiu também uma profundidade de devoção e reverência que ele jamais havia alcançado antes; ele soube que ao tornar-se um com seu instrutor terreno ele havia também entrado no sacrário de seu verdadeiro Mestre, com quem era um, por sua vez, aquele professor, e ele vagamente sentiu-se em contato com uma Consciência de incompreensível esplendor. Mas aqui sua força faltou-lhe; ele pareceu deslizar de volta para dentro do tubo, e abriu seus olhos no plano físico.

Consultado a respeito desta experiência transcendente, eu a analisei minuciosamente, e convenci-me facilmente de que havia sido uma inquestionável entrada no mundo búdico, não através de penoso progresso através dos vários estágios do mental, mas por um caminho direto ao longo do raio de reflexão do subplano astral mais alto até o subplano mais baixo do mundo intuicional. Eu procurei por efeitos físicos, e constatei que não houve nenhum; o estudante estava em radiante saúde. Assim eu recomendei que ele repetisse o esforço, e tentasse com a mais profunda reverência pressionar ainda mais para o alto, e se elevasse, se assim pudesse ser feito, àquela Consciência Augusta. Pois eu vi que se tratava de um caso daquela combinação de dourado amor e vontade férrea que é tão raro de ocorrer em nossa Estrela Tristonha; e eu sabia que um amor que é completamente altruísta e uma vontade que não conhece obstáculos pode levar seu possuidor ao pés do próprio Deus.

O estudante repetiu este experimento, e novamente foi bem sucedido além de qualquer esperança ou expectativa. Ele foi capaz de entrar naquela Consciência mais vasta, pressionando para frente e para cima n'Ela como se nadasse num vasto lago. Muito do que trouxe de volta consigo ele não poderia compreender; reminiscências de glórias inefáveis, fragmentos de concepções tão vastas e tão deslumbrantes que nenhuma mente meramente humana poderia captá-las em sua totalidade. Mas ele ganhou uma idéia nova do que o amor e devoção poderiam ser - um ideal pelo qual esforçar-se pelo resto de sua vida.

Dia após dia ele continuou seus esforços (consideramos que uma vez por dia seria a freqüência máxima com que ele prudentemente poderia tentar); mais e mais ele penetrou naquele grande lago de amor, mas ainda não achou o seu fim. Mas gradualmente ele se tornou consciente de algo muito maior ainda; ele de algum modo percebeu que este esplendor indescritível era permeado por uma glória mais sutil mas inconcebivelmente ainda mais esplêndida, e tentou alçar-se até ela. E quando conseguiu, soube por suas características que era a Consciência do próprio grande Instrutor do Mundo. Ao tornar-se um com seu professor terreno ele inevitavelmente havia se unido à consciência de seu Mestre, ao qual aquele professor já estava unido; e nesta maravilhosa experiência ulterior ele estava apenas comprovando a estreita união que existe entre aquele Mestre e o Bodhisattva, que por sua vez O ensinara. Naquele mar ilimitado de Amor e Compaixão ele mergulha diariamente em sua meditação, com uma elevação e fortalecimento tais para si como prontamente pode ser imaginado; mas ele jamais pode alcançar seus limites, pois nenhum mortal pode medir um oceano como aquele.

Tentando penetrar sempre mais fundo neste novo reino estupendo que tão subitamente se abrira para ele, ele conseguiu um dia alcançar um desenvolvimento adicional - uma beatitude tão mais intensa, um sentimento tão mais profundo, que pareceu-lhe a princípio tão superior como aquele primeiro toque de consciência búdica estivera acima de suas experiências astrais anteriores. Ele disse: "Se eu não soubesse que me é impossível ainda atingi-lo, eu diria que isso deve ser o Nirvana".

Na verdade era apenas o próximo subplano do búdico - o segundo de baixo para cima, e o sexto de cima para baixo; mas sua impressão é significativa por mostrar que a consciência não só se expande ao subirmos, mas a razão em que se expande aumenta rapidamente. Não só o progresso é acelerado, mas a razão desta aceleração cresce em progressão geométrica. Agora este estudante atinge aqueles subplanos elevados diária e comumente, e está trabalhando com vigor e perseverança esperando avançar ainda mais além. E o poder, o equilíbrio e segurança que isso introduz em sua vida física diária é algo espantoso e belo de se ver.

Um outro fenômeno que ele observa, acompanhando isso, é que a intensa beatitude daquele plano superior agora persiste além do tempo de meditação e mais e mais está-se tornando parte de toda a sua vida. No começo esta persistência era só de uns vinte minutos após cada meditação; então chegou a uma hora; depois duas horas; e ele confiante olha à frente vislumbrando um tempo em que será uma posse permanente - uma parte de si mesmo. Uma característica notável do caso é que esta prodigiosa exaltação diária não é seguida de nenhum sinal da mais leve que seja reação de depressão, mas em vez produz uma radiância solar crescente.

Tornando-se gradualmente mais acostumado a atuar neste mundo mais elevado e glorioso, ele começou a olhar para si em alguma extensão, e logo foi capaz de identificar-se com muitas outras consciências menos exaltadas. Ele as achou existindo como pontos dentro de seu eu expandido, e descobriu que focalizando a si mesmo em quaisquer destes pontos ele poderia de imediato perceber as mais altas qualidades e aspirações espirituais da pessoa que representavam. Buscando uma simpatia mais completa com alguém que ele conhecia e amava, ele discerniu que estes pontos de consciência eram também, como ele disse, buracos através dos quais ele poderia colocar-se dentro de seus veículos inferiores; e assim ele entrou em contato com aquelas partes de suas vidas e disposições que não poderiam encontrar expressão nenhuma no plano búdico. Isto lhe deu uma simpatia por estas suas características, uma compreensão de suas fraquezas, que foi realmente notável, e que não poderia provavelmente ter sido adquirida de nenhum outro modo - uma qualidade valiosíssima para o trabalho de um discípulo no futuro.

A unidade maravilhosa daquele mundo intuicional se manifestava a ele em exemplos insuspeitados. Um dia, segurando na mão o que ele considerava um pequeno objeto especialmente formoso, parte do qual era branco, ele caiu numa espécie de êxtase de admiração por sua forma graciosa e harmônica coloração. Subitamente, através do objeto, enquanto o olhava, ele viu desdobrar-se diante dele uma paisagem, exatamente como se o pequeno objeto houvesse se tornado uma janelinha, ou talvez um cristal. A paisagem é uma que ele conhece bem e ama, mas não havia uma razão óbvia pela qual o pequeno objeto devesse tê-la trazido para diante dele. Uma característica curiosa era que a parte branca daquele objeto era representada no céu de sua imagem. Impressionado por este fenômeno inteiramente inesperado, ele tentou a experiência de elevar sua consciência enquanto deleitava-se na beleza do panorama. Ele teve a sensação de passar através de algum meio resistente para dentro de um plano superior, e percebeu que a vista diante dele havia se transformado em uma que lhe era estranha, mas ainda mais bela que a que ele conhecia tão bem. As colunas de nuvens brancas haviam se tornado uma alta montanha coberta de neve, com seu longo perfil mergulhando abaixo num mar de cor mais rica que qualquer um que nesta encarnação havia visto. As baías rochosas, as construções, a vegetação, eram-lhe de todo estranhas, ainda que bem conhecidas por mim; e por uma cuidadosa pesquisa eu logo me certifiquei sem margem de dúvida que a cena que ele estava vendo era o que eu suspeitara - um panorama físico real, mas milhares de quilômetros distante do local de onde ele o contemplava. Uma vez que aquele lugar santo está muitas vezes em minha mente, ainda que eu certamente não estivesse pensando nele no momento, o que o estudante viu pode ter sido uma forma-pensamento minha. Eu imagino que neste ponto o que ocorreu pode ser descrito com muita simplicidade. Eu presumo que a emoção do estudante estivesse excitada pela admiração, e que as vibrações aceleradas que eram originadas desta maneira puseram em operação seus sentidos astrais, e isto o tornou capaz de ver um panorama que não era fisicamente visível, mas estava bem ao alcance astral. A tentativa de pressionar mais além temporariamente abriu o sentido mental, e através deste poder ele foi capaz de ver minha forma-pensamento.

2008/05/02

PENSAMENTOS DE H.P.BLAVATSKY

"O universo é a combinação de milhares de elementos, e contudo é expressão de um simples espírito - um caos para os sentidos, um cosmos para a razão."
(Ísis sem Véu)




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"Se há um espírito imortal desenvolvido no homem, ele deve existir em tudo o mais, pelo menos em estado latente ou germinal; pode ser apenas uma questão de tempo para que cada um destes germes torne-se plenamente desenvolvido."
(Ísis sem Véu)




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"A Doutrina Secreta ensina o progressivo aperfeiçoamento de todas as coisas, tanto dos mundos como dos átomos. E este estupendo aperfeiçoamento não tem um começo concebível nem um fim imaginável. Nosso "Universo" é apenas um de um infinito número de Universos, todos eles "Filhos da Necessidade", porque na grande cadeia cósmica de Universos cada elo acha-se numa relação de efeito com referência ao antecessor, e de causa com referência ao sucessor."
(A Doutrina Secreta)




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"O altruísmo é uma parte integral do auto-aperfeiçoamento. Mas temos de discernir. Ninguém tem o direito de inanir-se até a morte para que outrem possa ter alimento, a não ser que a vida deste último obviamente seja mais útil do que a do primeiro. Mas é seu dever sacrificar o próprio conforto e trabalhar pelos outros se estes estão incapacitados para o trabalho."
(A Chave da Teosofia)




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"A harmonia no mundo físico e matemático dos sentidos é justiça no mundo espiritual. A justiça produz harmonia e a injustiça discórdia; a discórdia, numa escala cósmica, significa caos - aniquilação."
(Ísis sem Véu)




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"Os maus pensamentos são menos prejudiciais do que os pensamentos utópicos e medíocres. Porque contra os maus pensamentos estais sempre alerta, e estando determinados a combatê-los e vencê-los, essa determinação vos auxilia a desenvolver a força de vontade. Os pensamentos medíocres, ao contrário, servem simplesmente para distrair a atenção e desperdiçar energias."
(Ocultismo Prático)




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"A idéia da Absoluta Unidade estaria inteiramente fragmentada em nossa concepção se não tivéssemos algo concreto, diante de nossos olhos, que contivesse essa Unidade. E a deidade, sendo absoluta, deve ser onipresente; por isso é que nenhum átomo deixa de contê-LA em si. As raízes, o tronco e seus muitos galhos são três objetos distintos, e no entanto formam uma árvore."
(A Doutrina Secreta)




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"Meditação, abstinência em tudo, observação dos deveres morais, pensamentos agradáveis, boas ações e palavras amáveis, como também a boa vontade com todos e o total esquecimento do Eu, são os meios mais eficazes de obter conhecimento e preparar-se para a recepção da sabedoria superior."
(Ocultismo Prático)




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"Um alto desenvolvimento das faculdades intelectuais não implica a verdadeira vida espiritual. A presença de uma alma intelectual humana, altamente desenvolvida numa pessoa... é perfeitamente compatível com a ausência de Buddhi, ou a alma espiritual. A não ser que o primeiro evolua ou se desenvolva dos ou sob os benéficos raios da última, ele permanecerá sempre e tão-somente uma progênie direta dos princípios terrestres, inferiores, estéreis quanto às percepções espirituais, sepulcro magnificente, luxurioso, cheio de ossos secos de matéria_ decomposta em seu interior."
(Revista Lúcifer)




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"A perfeição, para ser completa, deve nascer da imperfeição; o incorruptível deve brotar do corruptível, tendo a este por veículo, base e contraste."
(A Doutrina Secreta)




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"O Homem, como Homem Arquetípico ou Adão, é feito para conter todo o Sistema Cabalístico. Ele é o grande símbolo e a sombra projetados pelo Cosmos manifestado, que em si é o reflexo do princípio impessoal e sempre incompreensível. Esta sombra supre com sua estrutura - o pessoal nascido do impessoal - uma espécie de símbolo objetivo e tangível de todas as coisas visíveis do Universo."
(Revista Lúcifer)




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"Os antigos... compreenderam o fato de que as relações recíprocas entre os corpos planetários são tão perfeitas quanto as que existem entre os corpúsculos sangüíneos que flutuam num fluido comum, e que cada um é afetado pelas influências combinadas dos restantes, uma vez que cada um por sua vez afeta todos os demais."
(Ísis sem Véu)




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"Os juramentos nunca impõem uma obrigação, até que cada homem compreenda plenamente: 1º) que a humanidade é a mais alta manifestação na Terra da Suprema Deidade Invisível; 2º) que cada homem é uma encarnação de seu Deus; 3°) quando o sentido de responsabilidade pessoal estiver tão desenvolvido nele que considere o perjúrio o maior insulto possível a si mesmo e à humanidade. Nenhum juramento impõe uma obrigação de fato, a não ser quando prestado por alguém que, sem qualquer juramento, guarde solenemente uma palavra de honra."
(Ísis sem Véu)




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"A pessoa dotada da faculdade de pensar nas coisas mais insignificantes do plano superior do pensamento, em virtude de tal dom tem, por assim dizer, um poder plástico de formação em sua imaginação real. Sobre o que quer que essa pessoa pense, seu pensamento será tão ou mais intenso que o pensamento de uma pessoa comum, que por esta mesma força obtém o poder de criação."
(Revista Lúcifer)




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"A humanidade - pelo menos em sua maioria - detesta refletir, mesmo em benefício próprio. Magoa-se, como se fora um insulto, ao mais humilde convite para sair por um momento das velhas e batidas veredas e, a seu critério, ingressar num novo caminho para seguir em alguma outra direção."
(A Doutrina Secreta)




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"A mente recebe indeléveis impressões mesmo de conhecimentos ou pessoas casualmente encontradas apenas uma vez. Assim como alguns segundos de revelação da chapa fotográfica sensibilizada é tudo o que se necessita para preservar indefinidamente a imagem de um objeto, o mesmo acontece com a mente."
(Ísis sem Véu)




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"O motivo certo para a busca do autoconhecimento é aquele que pertence ao conhecimento e não ao eu. O autoconhecimento merece ser procurado em virtude de ser conhecimento e não em virtude de pertencer ao eu. O principal requisito para adquirir o autoconhecimento é um amor puro. Buscai o conhecimento por puro amor, e o autoconhecimento finalmente coroará o esforço."
(Ocultismo Prático)




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"A força centrípeta não poderia manifestar-se sem a centrífuga na revolução harmoniosa das esferas; todas as formas são produtos desta força dual da natureza."
(Ísis sem Véu)




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"A sabedoria oriental ensina que o espírito tem de passar pelo ordálio da encarnação e da vida, e ser batizado com a matéria antes de poder atingir a experiência e o conhecimento. Só após isso ele recebe o batismo da alma, ou autoconsciência, e pode retornar à sua condição original de um deus, mais a experiência, terminando com a onisciência. Em outras palavras, ele pode retornar ao estado original da homogeneidade da essência primordial, somente através da frutificação do Karma, que é o único capaz de criar uma absoluta deidade consciente, distante apenas um grau do TODO absoluto."
(Revista Lúcifer)




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"Vivemos numa atmosfera de escuridão e desespero... porque nossos olhos estão voltados e fitos na terra, repleta de manifestações físicas e grosseiramente materiais. Se, ao invés disso, o homem, prosseguindo na jornada de sua vida, olhasse não para o céu - o que é apenas uma figura de retórica - mas para dentro de si mesmo, e centralizasse seu ponto de observação no homem interior, muito logo escaparia dos rolos compressores da grande serpente da ilusão."
(Revista Lúcifer)




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A magia, como ciência, é o conhecimento destes princípios e da maneira como a onisciência e onipotência do espírito e seu domínio sobre as forças da natureza podem ser adquiridas pelo indivíduo, mesmo estando ainda no corpo físico. Como arte, a magia é a aplicação deste conhecimento na prática."
(Ísis sem Véu)




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"A filosofia platônica era a da ordem, sistema e proporção. Abrangia a evolução dos mundos e espécies, a correlação e conservação da energia, a transmutação da forma material, a indestrutibilidade da matéria e do espírito. Sua posição a este respeito estava muito à frente da ciência moderna, e enfeixava o arco de seu sistema filosófico com um fecho a um tempo perfeito e inabalável."
(Ísis sem Véu)




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"O egoísmo pessoal é que excita e estimula o homem a abusar de seus conhecimentos e poderes. O egoísmo é um edifício humano, cujas janelas e portas estão sempre escancaradas para que toda espécie de iniqüidades entre na alma humana."
(A Doutrina Secreta)




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"A doutrina fundamental da filosofia esotérica não admite privilégios ou dons especiais no homem, salvo aqueles adquiridos por seu próprio Ego, através de esforços e méritos pessoais, durante toda uma longa série de metempsicoses e reencarnações."
(A Doutrina Secreta)




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"Para tomar-se autoconsciente, o Espírito deve passar pelos diversos ciclos de existência, atingindo na Terra o seu ápice no homem. O Espírito em si é uma abstração negativa inconsciente. Sua pureza é inerente, não adquirida por mérito; daí que para tornar-se o mais elevado Dhyan Chohan (Senhor de Luz), é necessário que todo Ego atinja a plena autoconsciência como humano, isto é, consciente, sintetizado para nós no Homem."
(A Doutrina Secreta)




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"Atinge-se a cultura espiritual pela concentração. Deve ser continuada diariamente e ser usada a todo o momento. A meditação foi definida como a ´cessação da atividade externa do pensamento´. Concentração é a total tendência da vida para um dado fim."
(Ocultismo Prático)




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"Não há nenhum bem ou mal em si, como não há nem "elixir da vida" nem "elixir da morte", nem veneno em si. Tudo está contido na única e mesma essência universal, dependendo os resultados do grau de sua diferenciação e de suas várias correlações. O seu lado de luz produz vida, saúde, bem-aventurança, paz divina, etc.; o lado de trevas traz morte, doenças, tristezas e conflitos."
(A Doutrina Secreta)




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"A Natureza revela seus mais íntimos segredos e partilha a verdadeira sabedoria somente àquele que busca a verdade por amor à própria verdade, e que aspira ao conhecimento para conferir benefícios aos outros, não à sua insignificante personalidade."
(Revista Lúcifer)




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"Karma é uma lei infalível, que nos planos físico, mental e espiritual da existência ajusta o efeito à causa. Assim como não existe causa sem efeito - desde uma perturbação cósmica até o movimento de nossas mãos; assim como cada coisa engendra sua semelhante, da mesma forma o Karma é aquela lei invisível e desconhecida que sábia, inteligente e eqüitativamente ajusta cada efeito à sua causa e leva esta ao seu produtor."
(A Chave da Teosofia)




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"Não há nenhum Demônio, nenhum Mal fora do gênero humano para produzir um Demônio. O Mal é uma necessidade no Universo Manifestado, e um dos seus sustentáculos. É uma necessidade para o progresso e a evolução, tanto quanto a noite é necessária para a produção do dia, e a morte para a produção da vida, afim de que o homem possa viver por todo o sempre."
(A Doutrina Secreta)




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"Uma lei oculta ensina que todo homem corrige seus defeitos individuais, aperfeiçoa, por pouco que seja, o organismo de que é parte integrante. Do mesmo modo, ninguém peca ou sofre os efeitos do pecado, sozinho. De fato, não existe nenhuma "separatividade". A mais achegada aproximação desse estado egoísta, que as leis da vida permitem, está na intenção ou motivo."
(A Chave da Teosofia)




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"Resumindo tudo em poucas palavras, MAGIA é SABEDORIA espiritual. A Natureza é a aliada, aluna e serva do mago. Um princípio comum, vital, penetra todas as coisas, e é controlável pela vontade do homem perfeito. O Adepto pode estimular os movimentos das forças naturais nas plantas e animais num grau sobrenatural. Tais fatos não são obstruções da Natureza, mas aceleramentos em que são dadas condições de ação vital mais intensa."
(Ísis sem Véu)




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"O Karma não cria nem planeja nada. É o homem quem planeja e cria causas, e a Lei Cármica ajusta o efeito. Tal ajustamento não é um ato, mas a harmonia universal que tende sempre a reassumir sua posição original, tal qual um galho de árvore que, puxado violentamente para baixo, retorna com igual violência. Se o braço que o puxou se deslocar ou quebrar, quem teria sido o causador do sofrimento? O galho ou a nossa insensatez?"
(A Doutrina Secreta)




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"Uma completa familiaridade com as faculdades ocultas de tudo que existe na Natureza, tanto visível quanto invisível; suas mútuas relações, atrações e repulsões, bem como sua causa, investigada até o princípio espiritual que penetra e anima todas as coisas; a habilidade para prover as melhores condições para que tal princípio se manifeste - noutras palavras, um profundo e exaustivo conhecimento das leis naturais - essa era e é a base da Magia."
(Ísis sem Véu)




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"A oração é uma ação enobrecedora quando é um intenso sentimento, um ardente desejo emitido de nosso próprio coração para o bem de outros, e quando inteiramente isento de qualquer objetivo egoísta, pessoal."
(A Doutrina Secreta)




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"A vontade do Criador, pela qual todas as coisas foram feitas e receberam seus primeiros impulsos, é propriedade de todo ser vivente. O homem, dotado de uma espiritualidade adicional, tem a maior partilha dessa vontade. Ele obterá maior ou menor sucesso no uso do poder mágico da mesma, proporcionalmente à matéria nele existente."
(Ísis sem Véu)




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"Nós produzimos causas, e estas despertam as forças correspondentes no Mundo Sideral. Elas são magnéticas e irresistivelmente atraídas por aqueles que as produzem, e reagem sobre tais pessoas, sejam praticamente os malfeitores ou simplesmente "pensadores" que nutrem maldades."
(A Doutrina Secreta)




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"Agir e agir sabiamente no momento oportuno, esperar e esperar pacientemente quando é hora de repouso, põem o homem em sintonia com as marés cheias e baixas, de sorte que, com a natureza e a lei como apoio, e a verdade e a beneficência como farol, ele pode realizar maravilhas."
(Ocultismo Prático)




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"A roda da Lei gira rapidamente. Mói noite e dia. Separa do dourado grão as cascas inúteis, e da farinha o farelo. A mão do Karma guia a roda, cujas rotações marcam as palpitações do coração cármico."
(A Voz do Silêncio)




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"A idéia teosófica da caridade significa esforço pessoal pelos outros; compaixão e bondade pessoais, interesse pessoal pelo bem estar dos que sofrem; simpatia pessoal, providência e assistência em seus sofrimentos e necessidades."
(A Chave da Teosofia)




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"Pela radiante luz do oceano magnético universal, cujas ondas elétricas abarcam o Cosmos, e em seu incessante movimento penetram cada átomo e molécula da infinita criação, os discípulos do mesmerismo - não obstante a pobreza de seus vários experimentos - intuitivamente percebem o alfa e o ômega do grande mistério. Sozinho, o estudo deste agente, que é o divino alento, pode desvendar os segredos da psicologia e da fisiologia, dos fenômenos cósmicos e dos espirituais."
(Ísis sem Véu)




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"O reto pensamento é uma boa coisa, mas o pensamento solitário pouco vale; precisará ser traduzido em ação."
(Theosophist)




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"Ninguém deve entrar no Ocultismo, nem mesmo tocar nele, antes de estar perfeitamente familiarizado com seus próprios poderes, e de saber como comensurá-lo com suas próprias ações. E isto ele só pode fazer estudando a filosofia do Ocultismo antes de entrar num treinamento prático. Caso contrário, fatalmente ele cairá na Magia Negra."
(Revista Lúcifer)




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"Quedamo-nos estupefatos diante do mistério que nós próprios fabricamos, e dos enigmas da vida que não queremos resolver, e depois acusamos a grande Esfinge de nos devorar. Mas, em verdade, não há um acidente em nossa vida, não há um dia mau ou uma desgraça cuja causa não possa ser encontrada em nossas próprias ações, nesta ou noutra existência. Se alguém infringe as leis da harmonia ou, conforme a expressão de um teósofo, as "leis da vida", deve estar preparado para cair no caos que ele mesmo produziu."
(A Doutrina Secreta)




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"O único decreto do Karma - decreto eterno e imutável - é a Harmonia completa no Mundo da Matéria, como o é no Mundo do Espírito. Portanto, não é o Karma que nos pune ou recompensa, porém somos nós mesmos que nos recompensamos ou punimos, segundo trabalhemos com a Natureza, pela Natureza e de acordo com a Natureza, obedecendo ou transgredindo às leis de que depende essa Harmonia."
(A Doutrina Secreta)




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"Pitágoras ensinava que todo o universo é um vasto sistema de combinações matematicamente corretas. Platão mostra a deidade geometrizada. O mundo é sustentado pela mesma lei de equilíbrio e harmonia sobre a qual foi construído."
(Ísis sem Véu)




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"Certamente o homem não é nenhuma criação especial. Ele é o produto do trabalho do aperfeiçoamento gradual da Natureza, semelhante a qualquer outra unidade vivente nesta Terra. Mas isto é apenas com referência ao tabernáculo humano. Aquilo que vive e pensa no homem e sobrevive a essa forma é o "Eterno Peregrino", a protéica diferenciação no Espaço e Tempo do Uno "Incognoscível" e Absoluto."
(A Doutrina Secreta)




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"Parabrahman, a Realidade única, o Absoluto, é o campo da Consciência Absoluta, isto é, aquela Essência que está além de toda relação com a existência condicionada, e da qual a existência consciente é um símbolo condicionado. Mas desde que, em pensamento, passemos desta (para nós) Absoluta Negação, sobrevém a dualidade no contraste de Espírito (ou Consciência) e Matéria, Sujeito e Objeto.
(A Doutrina Secreta)




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"A idéia que um homem tem de Deus é aquela imagem de luz ofuscante que vê refletida no espelho côncavo de sua própria alma, e contudo isso não é Deus, mas apenas Seu reflexo. Sua glória está ali, porém é a luz de seu próprio Espírito que ele vê: é tudo o que ele pode comportar. Quanto mais claro o espelho, tanto mais brilhante será a divina imagem. Mas o mundo exterior não pode testemunhá-lo no mesmo momento."
(Ísis sem Véu)




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"Há uma lei fundamental do Ocultismo que diz não haver repouso ou cessação de movimento na Natureza. Aquilo que parece repouso é apenas a mudança de uma forma para outra; a mudança de substância anda de mãos dadas com a de forma - conforme nos ensina a Física oculta."
(A Doutrina Secreta)




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"O pensamento é uma energia que afeta a matéria de várias maneiras, mas a consciência em si, como a entende e explica á Filosofia oculta, é a mais elevada qualidade do princípio senciente espiritual em nós, a Alma Divina (ou Buddhi) e nosso Ego superior - e não pertence ao plano da materialidade."
(A Doutrina Secreta)




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"A Doutrina Secreta ensina a identidade fundamental de todas as Almas com a Alma Suprema Universal, sendo esta um aspecto da Raiz Desconhecida. Ensina também a peregrinação obrigatória para todas as Almas - centelhas daquela Alma Suprema -através do Ciclo Reencarnatório, durante todo esse período, de acordo com a Lei Cíclica e Cármica."
(A Doutrina Secreta)




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A mente requer purificação toda vez que nos irritamos, que dizemos uma falsidade, ou divulgamos faltas alheias. Devemos purificá-la, toda vez que falamos ou fazemos qualquer coisa, com a finalidade de bajular, ou quando alguém é enganado pela insinceridade de nossas palavras ou de nossos atos."
(Ocultismo Prático)




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"Os ensinos secretos referentes à evolução do Cosmos Universal não podem ser ministrados, já que não poderiam ser compreendidos pelas mais altas mentalidades desta época, e parece haver poucos Iniciados, mesmo entre os maiores, aos quais é permitido especular sobre este assunto... os Instrutores dizem claramente que nem mesmo os Dhyani-Chohans jamais penetraram nos mistérios que se acham além dós limites que separam do Sol Central os bilhões de sistemas solares. Portanto, os ensinos transmitidos se referem apenas ao nosso Cosmos visível, após uma Noite de Brahmâ."
(A Doutrina Secreta)




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"Por aquela intuição superior adquirida por meio da Teosofia - ou Conhecimento Divino - que projetou a mente, do mundo da forma para o do espírito sem forma, o homem tem sido às vezes capaz, em todos os séculos e em todos os países, de perceber coisas no mudo interior ou invisível."
(A Doutrina Secreta)




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"Lúcifer - o Espírito da Iluminação Intelectual e Liberdade de Pensamento-é, metaforicamente, o farol orientador que ajuda o homem a encontrar o seu caminho por entre as rochas e bancos de areia da Vida. Pois Lúcifer, em seu aspecto mais elevado, é o Logos, e no mais baixo, o "Adversário" - ambos refletidos em nosso Ego."
(A Doutrina Secreta)




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"Para o Ocultista oriental, a Árvore do Conhecimento, no Paraíso do próprio coração do homem, torna-se a Árvore da Vida Eterna, e nada tem a ver com os sentidos animais do homem. É mistério absoluto que se revela somente através dos esforços do Manas aprisionado, o Ego, para libertar-se da escravidão da percepção sensória, e ver à luz da única e eterna Realidade presente."
(A Doutrina Secreta)




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"Não pode haver nenhuma real libertação do pensamento humano nem expansão dos descobrimentos científicos, enquanto não for reconhecida a existência do espírito, e aceita como um fato a dupla revolução".
(A Modern Panarion)




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"Vários são os pensadores que, ao estudar os sucessos e reveses das nações e grandes impérios, têm-se surpreendido com uma característica idêntica em suas histórias, a saber, a inevitável repetição de acontecimentos similares, depois de iguais períodos de tempo."
(Cinco Anos de Teosofia)




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"Imaginar que um cérebro humano possa conceber algo que nunca dantes foi concebido pelo "cérebro universal" é falácia e vaidosa presunção. No melhor dos casos, o primeiro pode apanhar, aqui e ali, perdidos vislumbres do "Pensamento Eterno" depois que este assumiu alguma forma objetiva, quer no Universo visível, quer no invisível."
(A Modern Panarion)




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"Nos idos dias de Sócrates e de outros sábios da antiguidade, como agora, aqueles que estão desejosos de aprender a grande Verdade sempre terão sua oportunidade se apenas "procurarem" encontrar alguém que os conduza à porta de ´quem sabe quando e como´."
(A Doutrina Secreta)




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"Tudo é vida, e cada átomo, mesmo da poeira mineral, é uma VIDA, embora isso esteja além de nossa compreensão e percepção, porque está fora do âmbito das leis conhecidas por aqueles que rejeitam o Ocultismo."
(A Doutrina Secreta)




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"Está bem, Ouvinte. Prepara-te, pois terás que viajar sozinho. O Instrutor pode apenas indicar o caminho. A Senda é uma para todos; os meios para chegar à meta variam com os peregrinos."
(A Voz do Silêncio)

http://www.levir.com.br/teosofia74.php

2008/04/15

SITE DE DANUIA





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2008/01/12

UM EPÍTOME DE TEOSOFIA

WILLIAM Q. JUDGE
TEOSOFIA, a Religião-Sabedoria, existe desde tempos imemoriais. Ela oferece-nos uma teoria sobre a Natureza e a vida, baseada no conhecimento adquirido pelos Sábios do passado, especialmente pelos do Oriente. Seus estudantes mais adiantados afirmam que este conhecimento não é fruto da imaginação nem da dedução, mas que é um conhecimento de fatos vistos e conhecidos por todos aqueles que estão dispostos a aceitar as condições requeridas para ver e conhecer.

Significando a Teosofia o conhecimento de Deus ou acerca de Deus (não no sentido de um Deus pessoal antropomórfico, mas de Sabedoria "divina" ou de "ordem divina") e sendo o termo "Deus" universalmente aceito como incluindo o todo, tanto o conhecido quanto o desconhecido, a "Teosofia" deve implicitamente abranger a Sabedoria relativa ao Absoluto; e sendo o Absoluto sem começo nem fim, esta Sabedoria deve ter existido desde sempre. Por isso a Teosofia é às vezes chamada Religião-Sabedoria, por possuir, desde tempos imemoriais, o conhecimento de todas as leis que governam os mundos espiritual, moral e material.

A teoria da Natureza e da vida que ela oferece não é uma daquelas teorias primeiramente elaboradas e depois impostas através de especulações, e em seguida demonstradas a posteriori forçando os factos ou as conclusões a encaixarem nelas; é sim, uma explição da existência, cósmica e individual, proveniente do conhecimento alcançado por aqueles que adquiriram o poder de ver para além do véu que esconde da mente comum as operaçoes da Natureza. Estes são os chamados Sábios [Sages em Fr./Inglês], no sentido mais elevado da palavra.
Nos últimos tempos, têm sido chamados Mahâtmâs e Adeptos. Antigamente, eram conhecidos como Rishis e Mahârishis, ou seja, Grandes Rishis. Sabe-se que tão elevados seres, os Sábios [Sages], viveram não só no Oriente, mas em todas as partes do globo, de acordo com as leis cíclicas referidas mais adiante, mas, no que respeita ao actual desenvolvimento da raça humana neste planeta, é agora no Oriente que os encontramos, embora seja possível que alguns deles, em tempos remotos, se retiraram das costas americanas.

Havendo necessariamente vários graus entre os estudantes da Religião-Sabedoria, é óbvio que aqueles dos níveis inferiores só podem transmitir o conhecimento correspondente ao seu próprio grau, e dependem, em certa medida, de estudantes mais adiantados para ter acesso a um conhecimento mais profundo. O conhecimento tido por estes estudantes mais adiantados não é fruto de meras deduções, mas diz respeito a realidades por eles vistas e conhecidas. Embora alguns estejam relacionados com a Sociedade Teosófica, eles estão no entanto acima dela. O poder de ver e de conhecer tais leis de maneira absoluta está subordinado a certas regras naturais e inerentes, que devem ser cumpridas como condições prévias; não é portanto possivel aceder ao pedido do homem mundano no sentido de revelar-lhe imediatamente esta sabedoria, visto que ele não poderia compreendê-la, enquanto não forem cumpridas aquelas condições.
Como este conhecimento diz respeito a leis e estados da matéria e da consciência dos quais o mundo ocidental "prático" não tem a menor idéia, ele só pode ser compreendido fragmento após fragmento, à medida que o estudante vai desaterrando e demolindo os seus preconceitos, devidos a teorias inadequadas ou erradas. Afirmam estes estudantes mais adiantados que, especialmente no Ocidente, prevalece há séculos um método de raciocínio falso, que criou o hábito mental universal de considerar como causa o que é mero efeito, e como irreal o que é real. Para dar um pequeno exemplo, os fenômenos do mesmerismo e da clarividência têm sido até ultimamente negados pela ciência ocidental, não obstante ter havido sempre muitas pessoas que conhecem pessoalmente a veracidade destes fenômenos através de provas introspectivas incontestáveis e, mesmo em alguns casos, compreendem até a sua causa e razão fundamental.


A seguir, algumas propostas fundamentais da Teosofia.
O Espírito no homem é a única parte real e permanente do seu ser, sendo o resto da sua natureza variavelmente composta. Visto que todo composto está sujeito à decomposição, tudo no homem é impermanente, excepto o seu Espírito. Além disso, sendo o Universo uno e não diverso e tudo nele estando unido ao Todo e a cada uma das partes, do que há aliás um perfeito conhecimento no plano superior (mais adiante referido), nenhum acto ou pensamento ocorre sem que cada parte do grande Todo o perceba e tome nota disso. Por isso é que todos os seres estão indissociavelmente unidos pelos laços da Fraternidade.

Esta primeira proposição fundamental da Teosofia postula que o Universo não é um conjunto de unidades heterogéneas, mas constitui um Todo único. Este Todo é o que os filósofos ocidentais chamam de "Divindade", e os Hindus Vedantinos de Para-Brahm1. Pode também ser chamado de Não-Manifestado, aquilo que contém em si a potencialidade de toda e qualquer forma manifestada, bem como as leis que governam estas manifestações. Ensina-se também que não existe a criação de mundos no sentido teológico, mas que o seu aparecimento deve-se estritamente à evolução. Quando chega a hora para o Não-Manifestado [Avyakta] de se manifestar como Universo objectivo, o que faz periódicamente, dele emana um Poder, ou a "Causa Primeira", assim chamada porque este Não-Manifestado é ele próprio a raíz sem raíz desta Causa e, no Oriente, é denominado "Causa sem Causa"2.
À Causa Primeira podemos chamar Brahma ou Ormuz, ou Osíris, ou qualquer outro nome que nos agrade. A projecção da sua influência no tempo, oú do chamado "sopro de Brahma ", traz o aparecimento gradual de todos os mundos e dos seres que neles habitam, os quais permanecem em manifestação enquanto aquela influência continuar actuando no processo da evolução. Ao cabo de longos períodos de tempo ("eons"), o movimento de expiração, ou a influência evolutiva, decresce, e o Universo começa a entrar no obscurecimento, ou Pralaya , até que, o "sopro" tendo sido completamente reabsorvido, nada mais subsiste, pois não há nada a não ser Brahma . O estudante deve ter o cuidado de não confundir Brahma3 (o Parabrahma impessoal) com Brahmâ , o Logos manifestado4. Discutir neste Epítome os meios usados por este poder em sua acção seria descabido, mas a Teosofia também trata destes meios.

A fase de expiração é conhecida como Manvantara, ou manifestação do mundo entre dois Manu5 (de Manu e Antara : "entre"), e o fim da inspiração traz o Pralaya , a destruição. Destas verdades brotaram as doutrinas erróneas da "criação" e do "juizo final". Estes Manvantara e Pralaya sucederam eternamente, e continuarão a suceder periódicamente e para sempre.

Para a realização de um Manvantara, postula-se dois princípios eternos: Purusha e Prakriti (o Espírito e a matéria), porque estão sempre presentes e unidos em cada manifestação. Estas palavras são aqui utilizadas por não existirem termos equivalentes em Inglês (ou numa lingua ocidental). Purusha é traduzido por "Espírito" e Prakriti por "matéria", mas o Purusha não é o Não-Manifestado, tampouco o Prakriti é a matéria tal como é conhecida pela ciência; por isso, os Sábios [Sages] Arianos declaram que existe um Espírito ainda mais elevado, chamado Purushottama. Isto porque, durante a noite de Brahmâ , ou a chamada fase de reabsorção do seu sopro, Purusha e Prakriti são ambos absorvidos no Não-Manifestado [Avyakta]; esta concepção lembra a idéia contida na expressão biblica: "permanecendo no seio do Pai".

Isto leva-nos até à doutrina da Evolução Universal explicada pelos Sábios da Religião-Sabedoria. O Espírito, ou Purusha, dizem, procede de Brahma e passa pelas diversas formas da matéria que evoluíram simultâneamente, começando, no mundo espiritual, pela forma mais elevada, e no mundo material, pela forma mais baixa. Esta última é desconhecida por enquanto pela Ciência moderna. Deste modo, cada uma das formas, mineral, vegetal e animal, encarcera uma centelha do Divino, um fragmento do indivisivel Purusha .

Estas centelhas batalham para "voltarem ao Pai" (para adquirir a auto-consciência6) e finalmente alcançarem a forma mais elevada na terra: a do homem, a única que lhes possibilita a auto-consciência. Calculado em escala humana de tempo, o período durante o qual se processa esta evolução abarca milhões de idades. Cada centelha de divindade, portanto, dispõe desta imensa duração para cumprir a sua missão, que é a de alcançar a auto-consciência completa, enquanto permanecer numa forma humana. Mas isto não significa que só o facto de encarnar-se numa forma humana confere à centelha divina a auto-consciência. Esta enorme tarefa pode ser cumprida pela centelha divina que já alcançou a forma humana, no decorrer do Manvantara, ou não, tudo dependendo da própria vontade e esforços de cada indivíduo.
Deste modo, cada espírito percorre o Manvantara , ou entra em manifestação, para o seu próprio enriquecimento e o do Todo. Desta maneira, Mahâtmâs e Rishis evoluem gradualmente durante um Manvantara, tornando-se assim, findo este, espíritos planetários guiando as evoluções de outros futuros planetas. Os espíritos planetários do nosso globo são aqueles que, em Manvantara anteriores, ou dias de Brahmâ, fizeram os esforços necessários para se tornarem Mahâtmâs no decurso daquele longo período.

Cada Manvantara existe para o mesmo propósito e tem o mesmo objectivo, de modo que os Mahâtmâs que já alcançaram aquelas alturas, ou aqueles que o alcançarão no decorrer do actual Manvantara, tornar-se-ão provavelmente os espíritos planetários do próximo Manvantara, neste ou em outro planeta. Poderá portanto deduzir-se que este sistema está baseado na identidade do Ser Espiritual, e constitui, sob o nome de "Fraternidade Universal", a idéia cardeal da Sociedade Teosófica, cuja meta é a realização desta Fraternidade entre os homens. Os Sábios dizem que o Purusha está na base de todos os objectos manifestados. Sem ele, nada poderia existir nem manter-se coeso. Ele penetra tudo em toda parle. Ele é a realidade da qual, ou sobre a qual, as coisas que consideramos reais não passam de meras imagens. Visto que Purusha atinge e abrange todos os seres, eles estão todos interligados; e, no plano de Purusha, existe uma perfeita consciência de todos os actos, pensamentos, objectos e eventos que poderão ocorrer naquele plano, no nosso, ou em qualquer outro. Porque abaixo do Espírito e acima do intelecto há um plano de consciência onde são gravadas as experiências, e que geralmente designamos por "natureza espiritual" do homem, da qual se diz frequentemente que é tão susceptivel de ser cultivada quanto o corpo ou o intelecto. Este plano superior é o verdadeiro plano de registro de todas as sensações e experiências (embora haja outros), e às vezes é chamado de "mente subconsciente". A Teosofia, no entanto, afirma que é um uso impróprio de termos o dizer-se que é possivel cultivar a natureza espiritual.
A meta real a ter em vista, é a de abrir a natureza inferior à natureza espiritual, torná-la permeável à influência superior, de modo que a natureza espiritual possa irradiar através dela e transformar-se no seu guia e regente. Só se pode dizer que esta natureza é "cultivada" na medida em que ela poderá dispor de um veículo preparado para tal fim. Dir-se-ia que o homem real, que é o Eu superior [NDT: "Higher-Self" em Inglês, ou "le Soi Supérieur" em Francês] -ou a centelha do Divino acima referida-, assombreia o ser visível, que tem a possibilidade de unirse àquela centelha. Por isso se diz, que o Espírito superior não está no homem, mas acima dele. Ele está perpétuamente em paz, é impassivel, ditoso e pleno de saber absoluto. Compartilha constantemente o estado divino porque o é ele próprio e, "em comunhão com os Deuses, nutre-se de Ambrósia". O objectivo do estudante é permitir que a luz deste Espírito resplandeça através dos invólucros inferiores.

Esta "cultura espiritual" só pode ser alcançada a partir do momento em que os interesses mais grosseiros, as paixões e as exigências da carne se subordinem aos interesses, às aspirações e às necessidades da natureza superior; isto é uma questão de sistema e de lei estabelecida.

O Espírito só pode comandar a partir do momento em que, intelectualmente, o homem firmemente reconheça, ou admita, que só ELE, o Espírito, existe. E sendo ele não só a pessoa em questão mas também o TODO, como já antes referido, qualquer egoísmo terá que ser eliminado da sua natureza inferior antes de poder alcançar o seu estado divino. Enquanto subsistir o menor desejo pessoal ou egoísta, nem que seja o de obter sucesso espiritual em proveito próprio, o fim desejado esquivar-se-á. A expressão "exigências da carne", portanto, abrange desejos que não são apenas os da carne, e seria mais apropriado falar em "desejos da natureza pessoal, inclusive os da alma individual".7

Quando sistemáticamente treinados de acordo com o sistema e a lei acima referidos, os homens adquirem uma visão clara e penetrante no mundo espiritual imaterial; as suas faculdades internas apreendem a verdade tão imediata e prontamente quanto as suas faculdades físicas percebem os objectos dos sentidos, ou as suas faculdades mentais apreendem os da razão. Ou, citando as palavras de alguns deles que são "capazes de ver directamente as idéias"8; por isso, o testemunho destes seres a respeito desta verdade é tão digno de confiança quanto o dos cientistas, ou o dos filósofos, nas suas especialidades respectivas.

No decurso deste treino espiritual, tais homens adquirem a percepção e o controle de diversas forças da Natureza, desconhecidas de outros homens, e são capazes de produzir efeitos habitualmente chamados de "milagrosos", embora estes não sejam na realidade mais do que o resultado de um maior conhecimento da lei natural. Sobre o que são estes poderes, ler "Yoga Philosophy" de Patañjali.9

O testemunho destes seres sobre a realidade suprasensível, comprovado pela posse de tais poderes, deveria suscitar um exame honesto por parte de cada espírito religioso.

Considerando agora o sistema exposto por estes Sábios (Sages), encontramos em primeiro lugar um relato da cosmogonia, o passado e o futuro desta terra e de outros planetas, e da evolução da vida através das formas, elemental10, mineral, vegetal, animal e humana, como se lhe chamam.

Os "elementais de vida passiva" [deste sistema] são desconhecidos da Ciência moderna, que chega a postular algo próximo: a existência de um agente material subtil na produção da vida, ao passo que eles são precisamente uma forma da própria vida.

Cada kalpa11, ou grande período, divide-se em quatro idades, ou yugas. Cada yuga dura milhares de anos e possui uma característica predominante. Estas quatro idades são12: o Krita ou Satya yuga (ou idade da verdade), o Tretâ yuga, o Dvâpara yuga e o nosso Kali yuga (ou idade da escuridão), que começou há cinco mil anos13. O termo "escuridão" refere-se à natureza espiritual, não ao aspecto material. Nesta idade, Kali yuga, no entanto, todas as causas produzem os seus efeitos muito mais rapidamente do que em qualquer outra: isto deve-se ao ímpeto do poder do "mal", à medida em que as pulsações deste ciclo o aproximam de um novo ciclo da verdade [Satya yuga]. Assim, um ser que ama sinceramente a raça humana pode fazer mais em três encarnações no decorrer do Kali yuga, do que faria num número muito maior delas em qualquer outra idade. A escuridão desta idade nào é absoluta, mas é maior do que a das outras idades. A sua principal tendência aponta no sentido da materialidade, embora seja ocasionalmente moderada por alguns progressos éticos ou científicos, que contribuem para o bem-estar da raça14, eliminando as causas imediatas de crimes e de doenças.

A nossa terra faz parte de uma cadeia de sete planetas (ou globos15), sendo ela a única que está no plano visível, enquanto as outras estão em planos diferentes e são, por conseguinte, invisíveis (os outros planetas do nosso sistema solar pertencem cada um a uma cadeia septenária16). A vaga de vida desce do planeta mais elevado para o mais baixo desta cadeia [terrestre] até chegar à terra; em seguida, ela sobe passando pelos outros três planetas no arco oposto, repetindo isto sete vezes [NDT: completando assim uma ronda]. A evolução das formas coincide com este progresso, pois a maré de vida traz consigo as formas mineral e vegetal, até que cada globo, por sua vez, esteja pronto para receber a onda de vida humana. A terra é o quarto destes globos.

A humanidade passa de globo para globo numa série de "rondas", percorrendo primeiro ciclicamente cada globo e reencarnando nele um determinado número de vezes. Quanto à evolução humana nos planetas ou globos invisíveis, pouco se pode dizer. Devemos limitarnos apenas à terra. Quando esta foi atingida da última vez pela onda humana (nesta nossa Quarta Ronda), começou a despertar a evolução do homem, subdividindo-o em raças diferentes. Cada uma destas raças, depois de ter alcançado, através da evolução, o período conhecido como "momento [decisivo] da escolha", e ter decidido o seu futuro destino como raça individual, começa a extinguir-se. Ademais, as raças estão separadas uma da outra por catástrofes naturais, como a submersão de continentes e grandes convulsões terrestres. O desenvolvimento das raças coincide com o desenvolvimento de sentidos especializados; a nossa quinta raça já desenvolveu até hoje cinco sentidos.

Mais nos dizem ainda os Sábios [Sages], que as coisas deste mundo e os seres humanos estão sujeitos a leis cíclicas, e que a qualidade e a velocidade de progressão pertencendo a um dado ciclo não se podem obter num outro ciclo diferente. Estas leis cíclicas funcionam em todas as idades. À medida que as idades vão escurecendo, prevalecem as mesmas leis, apenas os ciclos são mais curtos, isto é: de maneira absoluta têm o mesmo comprimento, mas percorrem a distância em menos tempo. Estas leis impõem limitações ao progresso da humanidade. Num ciclo onde tudo é ascendente e descendente, os Adeptos têm que esperar pelo momento oportuno para poderem ajudar a raça humana a elevar-se. Eles não podem nem devem interferir na lei kármica. Assim, eles voltam activamente a trabalhar, no sentido espiritual, quando sabem que o ciclo está a chegar ao seu momento decisivo de virada.

Além disso, estes ciclos não têm linhas nem pontos de partida ou de origem bem definidos; um deles pode estar no fim, ou estar prestes a acabar, quando um outro já começou. Sobrepõem-se e fundem-se uns nos outros, como o dia e a noite; e só quando um acabou por completo, e que outro começou realmente a florescer, é que podemos dizer que estamos num ciclo novo. Pode-se ilustrar isto comparando dois ciclos adjacentes a dois círculos entrelaçados, a circunferência de um passando pelo centro do outro, de modo que o momento em que um acaba e o outro começa, corresponde à linha de intersecção das duas circunferências. Podemos também imaginar um homem cujo andar representa a progressão dos ciclos: o caminho percorrido corresponderá à distância coberta pelos passos, e o ponto mediano de cada passo representará o começo de um ciclo e o final de outro. Vejamos agora como o progresso cíclico é auxilliado, e como desta maneira o seu declínio é permitido. Quando o ciclo está a ascender, Seres altamente evoluídos (Jñânis em sânscrito) descem à terra vindos de outras esferas onde o ciclo é descendente, a fim de ajudarem também o progresso espiritual deste globo. Da mesma forma, eles abandonam a nossa esfera quando o nosso ciclo está no ponto de escurecer. Estes Jñânis não devem todavia ser confundidos com os Mahâtmâs e os Adeptos já mencionados. O verdadeiro objectivo de todos os teósofos sinceros deveria ser por conseguinte de viver de maneira a que a sua influência possa conduzir à dispersão da escuridão, fazendo com que estes Jñânis possam voltar de novo à Terra17.

2007/10/17

John King: Um Pedaço Não Digerido da Literatura Teosófica

Marina Cesar Sisson(Membro da Sociedade Teosófica no Brasil desde 1977)(Artigo publicado originalmente no Informativo HPB n° 03, out./99)

John King é um personagem da história teosófica que é muito pouco conhecido e muito pouco compreendido. A grande maioria das biografias e estudos sobre a ST e a Madame apenas o mencionam rapidamente, como se sua importância fosse completamente marginal. Isto acontece porque ele é um personagem muito controvertido, que às vezes parece ser um elemental brincalhão manipulado por HPB, outras vezes parece ser o espírito de um pirata desencarnado, e ainda em outras ocasiões parece ser um membro da Hierarquia. Decifrar John King, mostrando sua verdadeira identidade e a importância de seu papel, não é uma tarefa fácil. Como Spierenburg escreveu: "Na literatura teosófica, John King é um pedaço não digerido ["an undigested lump"]. Temos que admitir isso." (TH, p. 168). Neste Informativo HPB n° 3 vamos começar a examinar o personagem John King, mostrando alguns aspectos de sua participação na vida de Olcott e da Velha Senhora.

John King: Ele é Meu Único Amigo
A falta de maiores informações sobre John King pode ser exemplificada por sua pequeníssima menção na volumosa obra biográfica de Sylvia Cranston. Este livro, que no original tem 648 páginas, usa somente um parágrafo para falar sobre John King: "Quem é o John King mencionado acima? Como HPB foi ordenada a não revelar, de início, que os fenômenos que ocorriam em sua presença eram realizados por ela mesma, ela tinha que atribui-los a alguém, e John King, um nome familiar nos círculos espíritas, foi o escolhido. Isto satisfez a Olcott, que ainda era um espírita convicto. Ele próprio comenta: "(...) Não me fizeram de início acreditar que eu estava lidando com espíritos desencarnados; e não me apresentaram um disfarce para dar batidas e escrever, e produzir para mim formas materializadas sob o pseudônimo de John King?" O nome era também usado por HPB nesta época como um despiste para seus instrutores e seus agentes. "Pouco a pouco", Olcott acrescenta, "HPB me fez saber da existência de adeptos orientais e seus poderes, e me deu, por meio de um grande número de fenômenos, as provas de seu próprio controle sobre as forças da natureza [até então] atribuído a John King." (Cranston, p. 132) Ou seja, nos dá a entender que era a própria Madame a autora de quase todos os fenômenos que ela atribuía a John King. E que, ocasionalmente, embora de uma forma não explicada por Cranston, John King também poderia estar servindo como um disfarce para os instrutores de HPB. Entretanto, especialmente quando estudamos o período em que HPB morou em Filadélfia, logo nos damos conta que este personagem provavelmente era o verdadeiro autor dos fenômenos e que, certamente, estava muito longe de ser uma figura marginal, tanto na vida de HPB, quanto na de Olcott. Uma demonstração disso é o depoimento que a Madame deu, numa carta para Aksakov, onde ela manifestou sua imensa gratidão a John King pela mudança em sua vida: "Além disso, o espírito John King gosta muito de mim, e eu gosto mais dele do que de qualquer outra coisa na terra. Ele é meu único amigo, e se estou em dívida com alguém pela mudança radical em minhas idéias sobre a vida, meus esforços e assim por diante, é tão somente com ele. Ele me transformou, e eu estarei endividada com ele, quando eu 'for para o andar de cima', por não ter que viver, talvez por séculos, na escuridão e no desalento." (Solovyoff, p. 247)

Outra demonstração clara da importância de John King é dada por Olcott: "Pouco a pouco, HPB me fez saber da existência de adeptos orientais e seus poderes, e me deu, por meio de um grande número de fenômenos, as provas de seu próprio controle sobre as forças da natureza. De início, como já comentei, ela os atribuiu a "John King", e foi através de sua mencionada amizade que eu primeiro entrei em correspondência pessoal com os Mestres. (...) Alguns, como Damodar e HPB, primeiro os viram em visões quando ainda eram jovens; alguns os encontraram sob estranhos disfarces nos locais mais improváveis; eu fui apresentado a eles por HPB através do meio que minhas experiências anteriores poderiam tornar mais compreensível, um pretenso "espírito" que incorporava em médiuns. John King trouxe quatro dos Mestres à minha atenção, dos quais um era um Copta, outro era um representante da escola neoplatônica de Alexandria; outro - um muito elevado, um Mestre dos Mestres, por assim dizer - era um Veneziano; e outro um filósofo inglês, desaparecido da vista dos homens, porém não morto. O primeiro foi meu primeiro Guru..."(ODL, p. 17-19) Como se poderia conceber como tendo uma importância pequena na vida de HPB, um ser com quem ela diz estar em dívida "pela mudança radical em minhas idéias sobre a vida, meus esforços e assim por diante"? Como poderia ter uma importância menor alguém que "trouxe quatro dos Mestres" à atenção de Olcott? É claro que sua importância não é marginal, mas sim decisiva!

"Mensageiro e Servo - Nunca Igualado - dos Adeptos Vivos"
Em novembro de 1874, quando Olcott voltou para Nova Iorque após a investigação na fazenda dos Eddy, onde conheceu HPB, ele foi ao apartamento dela. Lá HPB realizou sessões onde ocorriam batidas na mesa e mensagens soletradas, vindas principalmente de uma inteligência invisível que se auto denominava "John King", sobre o qual ele fala: "Este pseudônimo tem sido familiar a freqüentadores de sessões mediúnicas, por todo o mundo, nos últimos quarenta anos. Foi ouvido pela primeira vez em 1850 na 'sala de espíritos' de Jonathan Koons, de Ohio, onde ele dizia ser o chefe de uma tribo ou tribos de espíritos. Mais tarde, ele disse que era a alma penada de Sir Henry Morgan, o famoso bucaneiro, e como tal ele se apresentou a mim. Mostrou-me sua face e sua cabeça coberta por um turbante, em Filadélfia, durante minhas investigações (...). Ele tinha uma caligrafia singular, e usava expressões não usuais do inglês antigo." (ODL I, p. 10) Na época, Olcott realmente convenceu-se que John King era um espírito desencarnado. Porém, com o passar dos anos, e com maiores conhecimentos da filosofia do Ocultismo e dos poderes de HPB, ele entendeu que, embora os fenômenos fossem reais, não eram realizados por um espírito desencarnado. Olcott, então, passou a achar que existiam vários John King, entre os quais um elemental que HPB usava como instrumento no treinamento dele: "Ela manteve a ilusão por meses - pela distância dos anos, não consigo me lembrar exatamente quantos - e eu vi muitos fenômenos feitos, conforme se afirmava, por John King. (...) Ele era primeiro, John King, uma personalidade independente; depois era John King, mensageiro e servo - nunca igualado - dos adeptos vivos e, finalmente, era um elemental, puro e simples, empregado por HPB..." (ODL, I, p. 11) Naturalmente, é o segundo John King, "mensageiro e servo - nunca igualado - dos Adeptos vivos" que mais nos interessa. É este John King a quem Jinarajadasa se refere ao dizer que: "As cartas do Mestre Serapis [para Olcott] várias vezes mencionam John King". (LMW, 2nd S, p. 8). Nestas cartas, diz Jinarajadasa, "John é 'John King'." (HPB Speaks, I, p. 5)

John King e a Fraternidade de Luxor
A primeira carta que Olcott recebeu veio da "Fraternidade de Luxor", em nome de Tuitit Bey. Não se sabe exatamente a data desta carta mas, pelo seu conteúdo, pode-se inferir que foi em torno de maio 1875. Nesta carta o Irmão "John" já aparece como um elo entre Olcott e a Hierarquia: "Irmã Helena é uma servidora valente e de toda a confiança. Abra vosso espírito à convicção, tenha fé e ela vos conduzirá ao Portão Dourado da verdade. (...) Nosso bom irmão 'John' na verdade agiu impetuosamente, mas sua intenção foi boa. Filho do Mundo, se vós de fato a eles ouvis, então TENTE. "Irmão 'John' trouxe três de nossos Mestres para vos olhar após a sessão. Vossas nobres exortações em favor de nossa causa agora nos dão o direito de vos deixar saber quem eram: SERAPIS BEY (Seção de Ellora), POLYDORUS ISURENUS (Seção de Salomão), ROBERT MORE (Seção de Zoroastro) (...) Por Ordem do Grande TUITIT BEY "Observatório de Luxor, Manhã de terça-feira, Dia de Marte." (HPB Speaks, I, p. 8) Há também uma carta de HPB para Olcott que certamente acompanhou a carta de Tuitit Bey, pois nela a Madame explica como a carta de T.B. havia sido escrita. Ela também confirma que esta era a primeira carta dos Mestres que Olcott estava recebendo. Nesta carta a Madame escreve: "Eu a recebi neste exato momento. Tenho o direito e ousei segurar por algumas horas a carta enviada a você por Tuitit Bey, pois somente eu devo responder pelos efeitos e resultados das ordens de meus Chefes. (...) A mensagem foi ordenada em Luxor, um pouco depois da meia noite, entre segunda e terça-feira. Escrita [em] Ellora, na aurora, por um dos secretários neófitos, e muito mal escrita. Eu quis me certificar com T.B. se ainda era sua vontade que ela fosse enviada num tal estado de rabiscos humanos, uma vez que ela era direcionada para alguém que recebia uma tal coisa pela primeira vez." (HPB Speaks, I, p. 1) Então, ela revela que sua opinião era que, ao invés desta carta, Olcott deveria receber um pergaminho mágico para que, tendo um fenômeno concreto em suas mãos, ele pudesse dissipar um pouco das dúvidas que os truques de "John" certamente estavam lhe causando: "Minha sugestão era deixá-lo ter um de nossos pergaminhos, no qual o conteúdo aparece (materializado) sempre que você põe seus olhos sobre ele para lê-lo, e desaparece a cada vez, assim que você tiver terminado, pois, como respeitosamente inferi, você um pouco antes tinha ficado confuso com os truques de John e talvez sua mente, apesar de sua crença sincera, precisasse do reforço de alguma prova mais substancial." (HPB Speaks, I, p. 2) Porém, Tuitit Bey foi contra isto, respondendo que: "Uma mente que procura as provas da Sabedoria e Conhecimento em aparências externas, como nas provas materiais, não é merecedora de ser introduzida nos grandes segredos do 'Livro da Sophia Sagrada'. Aquele que nega o Espírito e o questiona com base em sua roupagem material, a priori nunca o conseguirá. Tente." (HPB Speaks, I, p. 2) Após alertar Olcott para a repreensão de T.B., HPB lhe aconselha a ir com calma no Caminho da busca da Sabedoria, pois nem sempre "John" estaria a postos para socorrê-lo, evidenciando mais uma vez o papel de John King como um instrutor neste Caminho: "Agora meu conselho para você, Henry, um conselho de amigo: não voe alto demais, batendo seu nariz nos caminhos proibidos do Portão Dourado sem alguém para lhe guiar; pois John não estará sempre lá para pegá-lo a tempo pelo colarinho e traze-lo a salvo para casa. O pouco que eles fazem por você é maravilhoso para mim, pois eu nunca os vi tão generosos desde o início. (...) Eu sou uma pobre iniciada, e sei que maldição a palavra 'Tente' se provou em minha vida, e o quão freqüentemente eu tremi e temi não compreender bem suas ordens, e trazer punição sobre mim, tanto por levá-las longe demais, quanto por não levá-las longe o bastante." (HPB Speaks, I, p. 3) Os fatos acima narrados nos mostram que John King não pode, de modo algum, ser considerado como um personagem de menor importância, tanto na vida de HPB, quanto na de Olcott e, por extensão, em todo o início do movimento teosófico contemporâneo. Tendo isto em mente, examinaremos vários episódios que ilustram a abrangência de seu envolvimento e de sua influência.

John King como Advogado de HPB
Em junho de 1874, HPB entrou numa sociedade com a Sra. Clementine Gerebko com o objetivo de explorar uma fazenda em Northport, Long Island, a qual já pertencia a esta senhora. A Madame entrou com 1.000 dólares e, pelo contrato firmado, todo o resultado das plantações, criação de aves domésticas ou qualquer outro produto gerado na fazenda seria dividido igualmente, assim como todas as despesas. HPB foi morar na fazenda mas logo entrou em litígio com a Sra. Gerebko, e voltou para Nova Iorque, buscando judicialmente ter seu dinheiro de volta. A firma de advogados Bergen, Jacobs e Ivins de Nova Iorque representou HPB no caso, que foi a julgamento em 26 de abril de 1875. HPB ganhou a ação, recebendo 1.146 dólares e as custas. Naquela época, Long Island, onde ocorreu o julgamento, era distante do Brooklyn, pois os meios de transporte eram muito limitados. Como o inglês de HPB ainda era muito pobre, ela deu seu depoimento em francês, tendo um intérprete. Por duas semanas o juiz, os advogados, os escrivães, clientes e intérpretes se hospedaram num hotelzinho. (CW, I, p. 84) Charles Flint, em seu livro "Memories of an Active Life", relata as circunstâncias do julgamento. Antes da audiência, Ivins havia combinado com a Madame os pontos que ela deveria enfatizar em seu depoimento, e o que ela deveria evitar. Entretanto, na hora de seu depoimento, HPB começou a seguir uma linha de argumentação bem oposta àquela que seus advogados haviam combinado com ela, para desespero dos mesmos. Quando eles reclamaram com ela, perguntando o porquê disso, ela respondeu que "... seu 'conhecido', a quem ela chamava de Tom [John] King, ficou de pé ao seu lado (invisível a todos exceto para ela mesma) e lhe ditou o seu depoimento." (CW, I, p. 85) HPB confirma esta ajuda de John King numa carta para seu amigo general Lippitt, dizendo que: "Eu ganhei mais uma ação judicial, e talvez possa recuperar $5.000 do que perdi. John me ajudou na minha ação judicial, isto é certo, mas ele fez uma coisa muito feia, embora não do ponto de vista do 'Summerland' [morada dos espíritos], mas sim de acordo com o código de honra humano, terreno." (HPB Speaks, I, p. 90) É provável que a "coisa muito feia" a que ela está se referindo seja uma briga ocorrida entre os dois advogados, aparentemente insuflada por John King, pois ela escreve ao general Lippitt: "... Sr. John, em seu ardente desejo de me ajudar, levou seu zelo longe demais. Ouça o que aconteceu. Após o veredicto, Marks, o advogado da acusada, me insultou, dizendo que eu havia ganho a causa através da falsificação de certos documentos. Se eu tivesse ignorado o insulto, tudo estaria bem, mas eu não o fiz, e chamei meu advogado para testemunhar o insulto. Meu advogado chamou Marks de um m[aldito] perjuro, um judeu e um mentiroso. O outro devolveu o cumprimento, e meu advogado, instigado por John (pois ele diz que não pode entender como ele fez isso), agarrou-o pelo pescoço e, jogando-o no chão, lhe deu a mais espetacular surra para o deleite da audiência e dos jurados, pois isso ocorreu na Sala da Corte, bem diante do nariz do juiz." (HPB Speaks, II, p. 175) Após o julgamento, HPB deixou a cidade e escreveu várias cartas a Ivins, perguntando sobre o andamento do processo e, finalmente, o deixou atônito com uma carta onde ela fazia uma previsão da decisão da Corte. Confirmando sua previsão, a corte lhe deu ganho de causa baseando-se em argumentos muito semelhantes aos que ela havia antecipado em sua carta.

John King em Filadélfia
Mas é principalmente do período em que a Madame estava casada com Betanelly, morando em Filadélfia, que temos o maior número de registros sobre os fenômenos produzidos por John King, e que fazem dele uma figura tão controvertida. Estes registros aparecem nas cartas de HPB, de Olcott e de Betanelly para o general Lippitt. Betanelly escreve: "Não há fim para estas maravilhas. Embora eu seja um espírita há apenas 5 meses, eu tenho visto e testemunhado mais manifestações de espíritos, e vejo mais delas a cada dia, do que muitos outros viram em suas longas vidas. Não tenho tempo, nem espaço, para lhe contar tudo que J.K. faz conosco mas, se contado, daria a mais notável história jamais escrita sobre manifestações de espíritos." (HPB Speaks, I, p. 60) Diz ainda Betanelly que durante o dia John King "...apenas dá batidas e circula pela casa. Mas à noite ele se materializa e caminha pela casa assustando os empregados." (HPB Speaks, I, p. 95) Betanelly conta também um episódio em que John King queria que ele e a Madame lhe dessem $50 cada um, conforme ele relata: "John sempre lhe pede dinheiro. Algumas vezes ela [HPB] lhe dá, outras não, então ele rouba, e depois aparece e lhe conta para provocá-la. Ele pediu a ela $50, mas ela não lhe deu, porque ele não disse a razão. Então ele me pediu, e me disse que se eu lhe prometesse os $50, ele faria um homem, que me devia $500, me pagar. Então ele disse à Madame B., e barganhou com ela, que se ele conseguisse $100 de um homem que devia a ela, e não queria pagar, ela teria que lhe dar $50. John manteve sua palavra e, no sábado, ela recebeu $100 do homem, sem lhe pedir, e eu recebi os meus $500. John disse que 'psicologizou' aos dois; e isto deve ter acontecido, pois ele conseguiu o dinheiro. Ela deu a John $50 e os meus $50, ele disse, eu devo a ele, e pagarei quando ele me pedir. Nós colocamos o dinheiro na escrivaninha de John, sua mesa particular, com seus papéis e correspondências, que ninguém na casa ousa tocar, pois ele pregará suas peças." (HPB Speaks, I, p. 94) É interessante atentarmos para o fato de que o poder, presença e influência de John King eram tão intensos que ele até mesmo possuía sua escrivaninha particular, onde precipitava suas correspondências. A Madame relata ao general Lippitt que John King se correspondia diretamente com várias pessoas, entre elas Olcott. Não há notícias do paradeiro destas cartas. HPB escreve: "Você ouviu falar do fenômeno que John fez para Olcott? Ele realmente lhe escreveu uma longa carta e, ao que parece, ele próprio postou-a, e nela contou-lhe alguns segredos maravilhosos. Ele é um ótimo sujeito, o meu John." (HPB Speaks, I, p. 63) "Ele mostra-se tão poderoso que ele mesmo, de fato, escreve cartas sem a ajuda de qualquer médium. Ele se corresponde com Olcott, com Adams, com três ou quatro senhoras que eu nem mesmo conheço; vem e me conta 'o bom divertimento que ele teve com eles', e como ele os iludiu. Eu posso lhe dar o nome de dez pessoas com quem ele se corresponde." (HPB Speaks, I, p. 85) A moça que trabalhava na casa era uma médium e muitas vezes "... ela gritou na escada ao encontrar 'John King' nos degraus ou no corredor, com sua poderosa figura vestida de branco, contando que ele 'a olhou de forma penetrante', com seus negros olhos de fogo. E mais de uma vez viu perto de mim, como ela contou aos meus visitantes." (HPB Speaks, I, p. 242) Certa vez John King assustou-a terrivelmente quando chegou a correspondência, pois ele: "... abriu cada uma delas antes que o carteiro tivesse tempo de entregá-las. Minha empregada, que é magnificamente mediunística - talvez tanto quanto ela é estúpida - e que passa todo o dia em transe desmaterializando tudo na cozinha, entrou correndo em meu quarto, meio chorando e tão assustada que estava muito pálida, me dizendo que 'aquele amigo espírito, grandão, de barba preta, rasgou e abriu os envelopes bem na mão dela' e, então, eu li sua carta [de Lippitt]." (HPB Speaks, I, p. 83) David Dana era um médium encarregado das sessões no "Clube dos Milagres" que Olcott criou (Meade, p.140), e estava passando algum tempo na casa da Madame, juntamente com uma amiga francesa de HPB, a Sra. Magnon (HPB Speaks, I, p. 83). Neste período, HPB teve uma séria doença, passando alguns dias completamente fria e desacordada. Enquanto isso John King "tomava conta" da casa de sua "amada Ellie" (HPB). Recuperada, a Madame descreveu o ocorrido, fazendo uma brincadeira com o "king" de John King, que em inglês significa "rei": "Agora, com relação a John King, aquele rei dos traquinas condenados ["king of mischievous reprobates"]. O que ele fez aqui pela casa, enquanto eu estava doente, na cama, a ponto de morrer, três volumes não poderiam expressar! (...) O fato é que nunca se sabe o que ele pode fazer logo a seguir. (...) Ele rouba tudo na casa; outro dia, na época em que eu estava tão doente, ele trouxe $10 para Dana; pois Dana havia lhe escrito de manhã em seu quarto, secretamente, pedindo-lhe o dinheiro (Dana o conhece há 29 anos). Ele trouxe $10 para o Sr. Brown; trouxe um anel de rubi para a Sra. Magnon, o qual ela havia perdido há meses (se tinha perdido ou se ele havia sido roubado, eu não sei) para 'recompensá-la', ele disse, pois ela havia tomado conta de 'sua amada Ellie' (pobre ego) ..." (HPB Speaks, I, p. 83-85) Outros detalhes da maneira intrigante como John King agia e - o que é mais desconhecido e surpreendente - de sua ascendência sobre a Madame, nos são por ela mesma revelados: "Ele me ama, eu sei, e faria por mim mais do que por qualquer outra pessoa; [ainda assim] veja as peças que ele me prega quando contrariado: à menor coisa que eu não faça como ele gostaria que eu fizesse, ele começa a se fazer de velho Harry, fazendo travessuras - e que travessuras. Ele me xinga horrivelmente, me chama dos nomes mais assombrosos, 'nunca antes ouvidos'; vai aos médiuns e lhes inventa histórias sobre mim, dizendo-lhes que feri seus sentimentos, que sou uma mentirosa maliciosa, uma ingrata e assim por diante (...). Ele falsifica a letra das pessoas e cria problemas nas famílias; 'ele desaparece e aparece rápida e inesperadamente' como algum Deus ex machina infernal; ele está em todo lugar ao mesmo tempo, e mete seu nariz nos negócios de todo mundo. Ele me prega as mais inesperadas peças - algumas vezes peças perigosas; me indispõe com as pessoas e, então, vem rindo e me conta tudo o que fez, se gabando e me provocando." (HPB Speaks, I, p. 85-86) "Há alguns dias ele queria que eu fizesse algo que eu não queria fazer, pois eu estava doente e não achava aquilo correto; [então] ele jogou em mim um cáustico pedaço de pedra 'infernale', que estava chaveado num porta-jóias dentro das gavetas, e queimou minha sobrancelha direita e minha bochecha. E, na manhã seguinte, quando minha sobrancelha se tornou preta como o azeviche, ele riu e disse que eu parecia uma 'bela moça espanhola'. Agora vou ficar marcada pelo menos por um mês. Sei que ele me ama, eu sei disso, ele é devotadamente ligado a mim, mas me xinga da maneira mais vergonhosa, o miserável criador de problemas ["wicked wretch"]. Ele escreve longas cartas para as pessoas sobre mim, faz elas acreditarem nas coisas mais horríveis e, então, se gaba disso! (HPB Speaks, I, p. 86) Todo este comportamento - tão atípico - pode nos fazer acreditar que a hipótese de Olcott, de que havia três John Kings, é a explicação mais plausível. Esta é, de fato, uma hipótese muito conveniente, pois assim, as ações que condenamos, ou que não entendemos, passam a ser atribuídas a um "Diakka", isto é, a um espírito que "experimenta um prazer insano em pregar peças, em fazer truques ilusivos, em personificar papéis contraditórios" (Isis, I, p. 219). Contudo, a própria HPB já descarta esta hipótese, ao escrever ao general Lippitt que: "Suas idéias e as minhas sobre o mundo dos espíritos são duas coisas diferentes. Meu Deus! Você talvez pensará: 'John é um Diakka', 'John é um espírito mau, um espírito brincalhão e malicioso', mas ele não é nem um pouco isso." (HPB Speaks, I, p. 87) Além disso, tal hipótese não é sustentável logicamente quando consideramos que, nesta época, a Madame já havia desenvolvido extraordinariamente seus poderes psíquicos e, mesmo assim, o "espírito" John King, "rei dos traquinas", sem dúvida, exercia um grande poder e influência sobre ela. Com ele, ela nada podia fazer, nem mesmo prever suas travessuras, como ela atesta: "Atualmente, por exemplo, a natureza me dotou muito generosamente com a segunda visão, ou dons clarividentes, e eu geralmente posso ver o que eu estiver ansiando ver; mas eu nunca posso pressentir suas travessuras, ou ficar sabendo delas, a menos que ele próprio venha e me diga." (HPB Speaks, I, p. 87) Com relação ao grau de desenvolvimento psíquico alcançado por HPB, sua irmã, Vera Jelihosvsky comenta que, de 1866 em diante: "... HPB não é mais vítima de 'influências', as quais, sem dúvida, teriam triunfado sobre uma natureza menos forte do que a dela; mas, ao contrário, é ela quem submete estas influências - sejam elas quais forem - à sua vontade." (Sinnett, p. 152) HPB confirmou este domínio quando escreveu para um familiar: "Agora [1866] nunca mais estarei submetida a influências externas. (...) Os últimos vestígios de minha fraqueza psíco-física se foram, para nunca mais voltar. Eu estou isenta e purificada daquela horrível atração por mim dos espectros errantes e afinidades etéreas. Eu estou livre, livre, graças ÀQUELES a quem eu agora bendigo a cada hora de minha vida." (Sinnett, p. 152) Deste modo, fica claro que o desenvolvimento psíquico que a Madame possuía era tal que jamais permitiria que um espírito desencarnado tivesse tanto poder e influência sobre ela. E um elemental - um mero servo seu na produção de fenômenos - certamente também não teria qualquer ascendência sobre ela. Por mais difícil que nos seja "digerir" o comportamento do "rei dos traquinas condenados", dos três John Kings descritos por Olcott, devemos concluir que o John King do período em que ela viveu em Filadélfia, e de quem HPB afirmou estar em dívida "pela mudança radical em minhas idéias sobre a vida", só pode ser o "mensageiro e servo - nunca igualado - dos Adeptos vivos".

Bibliografia
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