DANUIA - VENTOS DE IDENTIDADE

ESPAÇO DE APROFUNDAMENTO ESPIRITUAL

2008/01/12

UM EPÍTOME DE TEOSOFIA

WILLIAM Q. JUDGE
TEOSOFIA, a Religião-Sabedoria, existe desde tempos imemoriais. Ela oferece-nos uma teoria sobre a Natureza e a vida, baseada no conhecimento adquirido pelos Sábios do passado, especialmente pelos do Oriente. Seus estudantes mais adiantados afirmam que este conhecimento não é fruto da imaginação nem da dedução, mas que é um conhecimento de fatos vistos e conhecidos por todos aqueles que estão dispostos a aceitar as condições requeridas para ver e conhecer.

Significando a Teosofia o conhecimento de Deus ou acerca de Deus (não no sentido de um Deus pessoal antropomórfico, mas de Sabedoria "divina" ou de "ordem divina") e sendo o termo "Deus" universalmente aceito como incluindo o todo, tanto o conhecido quanto o desconhecido, a "Teosofia" deve implicitamente abranger a Sabedoria relativa ao Absoluto; e sendo o Absoluto sem começo nem fim, esta Sabedoria deve ter existido desde sempre. Por isso a Teosofia é às vezes chamada Religião-Sabedoria, por possuir, desde tempos imemoriais, o conhecimento de todas as leis que governam os mundos espiritual, moral e material.

A teoria da Natureza e da vida que ela oferece não é uma daquelas teorias primeiramente elaboradas e depois impostas através de especulações, e em seguida demonstradas a posteriori forçando os factos ou as conclusões a encaixarem nelas; é sim, uma explição da existência, cósmica e individual, proveniente do conhecimento alcançado por aqueles que adquiriram o poder de ver para além do véu que esconde da mente comum as operaçoes da Natureza. Estes são os chamados Sábios [Sages em Fr./Inglês], no sentido mais elevado da palavra.
Nos últimos tempos, têm sido chamados Mahâtmâs e Adeptos. Antigamente, eram conhecidos como Rishis e Mahârishis, ou seja, Grandes Rishis. Sabe-se que tão elevados seres, os Sábios [Sages], viveram não só no Oriente, mas em todas as partes do globo, de acordo com as leis cíclicas referidas mais adiante, mas, no que respeita ao actual desenvolvimento da raça humana neste planeta, é agora no Oriente que os encontramos, embora seja possível que alguns deles, em tempos remotos, se retiraram das costas americanas.

Havendo necessariamente vários graus entre os estudantes da Religião-Sabedoria, é óbvio que aqueles dos níveis inferiores só podem transmitir o conhecimento correspondente ao seu próprio grau, e dependem, em certa medida, de estudantes mais adiantados para ter acesso a um conhecimento mais profundo. O conhecimento tido por estes estudantes mais adiantados não é fruto de meras deduções, mas diz respeito a realidades por eles vistas e conhecidas. Embora alguns estejam relacionados com a Sociedade Teosófica, eles estão no entanto acima dela. O poder de ver e de conhecer tais leis de maneira absoluta está subordinado a certas regras naturais e inerentes, que devem ser cumpridas como condições prévias; não é portanto possivel aceder ao pedido do homem mundano no sentido de revelar-lhe imediatamente esta sabedoria, visto que ele não poderia compreendê-la, enquanto não forem cumpridas aquelas condições.
Como este conhecimento diz respeito a leis e estados da matéria e da consciência dos quais o mundo ocidental "prático" não tem a menor idéia, ele só pode ser compreendido fragmento após fragmento, à medida que o estudante vai desaterrando e demolindo os seus preconceitos, devidos a teorias inadequadas ou erradas. Afirmam estes estudantes mais adiantados que, especialmente no Ocidente, prevalece há séculos um método de raciocínio falso, que criou o hábito mental universal de considerar como causa o que é mero efeito, e como irreal o que é real. Para dar um pequeno exemplo, os fenômenos do mesmerismo e da clarividência têm sido até ultimamente negados pela ciência ocidental, não obstante ter havido sempre muitas pessoas que conhecem pessoalmente a veracidade destes fenômenos através de provas introspectivas incontestáveis e, mesmo em alguns casos, compreendem até a sua causa e razão fundamental.


A seguir, algumas propostas fundamentais da Teosofia.
O Espírito no homem é a única parte real e permanente do seu ser, sendo o resto da sua natureza variavelmente composta. Visto que todo composto está sujeito à decomposição, tudo no homem é impermanente, excepto o seu Espírito. Além disso, sendo o Universo uno e não diverso e tudo nele estando unido ao Todo e a cada uma das partes, do que há aliás um perfeito conhecimento no plano superior (mais adiante referido), nenhum acto ou pensamento ocorre sem que cada parte do grande Todo o perceba e tome nota disso. Por isso é que todos os seres estão indissociavelmente unidos pelos laços da Fraternidade.

Esta primeira proposição fundamental da Teosofia postula que o Universo não é um conjunto de unidades heterogéneas, mas constitui um Todo único. Este Todo é o que os filósofos ocidentais chamam de "Divindade", e os Hindus Vedantinos de Para-Brahm1. Pode também ser chamado de Não-Manifestado, aquilo que contém em si a potencialidade de toda e qualquer forma manifestada, bem como as leis que governam estas manifestações. Ensina-se também que não existe a criação de mundos no sentido teológico, mas que o seu aparecimento deve-se estritamente à evolução. Quando chega a hora para o Não-Manifestado [Avyakta] de se manifestar como Universo objectivo, o que faz periódicamente, dele emana um Poder, ou a "Causa Primeira", assim chamada porque este Não-Manifestado é ele próprio a raíz sem raíz desta Causa e, no Oriente, é denominado "Causa sem Causa"2.
À Causa Primeira podemos chamar Brahma ou Ormuz, ou Osíris, ou qualquer outro nome que nos agrade. A projecção da sua influência no tempo, oú do chamado "sopro de Brahma ", traz o aparecimento gradual de todos os mundos e dos seres que neles habitam, os quais permanecem em manifestação enquanto aquela influência continuar actuando no processo da evolução. Ao cabo de longos períodos de tempo ("eons"), o movimento de expiração, ou a influência evolutiva, decresce, e o Universo começa a entrar no obscurecimento, ou Pralaya , até que, o "sopro" tendo sido completamente reabsorvido, nada mais subsiste, pois não há nada a não ser Brahma . O estudante deve ter o cuidado de não confundir Brahma3 (o Parabrahma impessoal) com Brahmâ , o Logos manifestado4. Discutir neste Epítome os meios usados por este poder em sua acção seria descabido, mas a Teosofia também trata destes meios.

A fase de expiração é conhecida como Manvantara, ou manifestação do mundo entre dois Manu5 (de Manu e Antara : "entre"), e o fim da inspiração traz o Pralaya , a destruição. Destas verdades brotaram as doutrinas erróneas da "criação" e do "juizo final". Estes Manvantara e Pralaya sucederam eternamente, e continuarão a suceder periódicamente e para sempre.

Para a realização de um Manvantara, postula-se dois princípios eternos: Purusha e Prakriti (o Espírito e a matéria), porque estão sempre presentes e unidos em cada manifestação. Estas palavras são aqui utilizadas por não existirem termos equivalentes em Inglês (ou numa lingua ocidental). Purusha é traduzido por "Espírito" e Prakriti por "matéria", mas o Purusha não é o Não-Manifestado, tampouco o Prakriti é a matéria tal como é conhecida pela ciência; por isso, os Sábios [Sages] Arianos declaram que existe um Espírito ainda mais elevado, chamado Purushottama. Isto porque, durante a noite de Brahmâ , ou a chamada fase de reabsorção do seu sopro, Purusha e Prakriti são ambos absorvidos no Não-Manifestado [Avyakta]; esta concepção lembra a idéia contida na expressão biblica: "permanecendo no seio do Pai".

Isto leva-nos até à doutrina da Evolução Universal explicada pelos Sábios da Religião-Sabedoria. O Espírito, ou Purusha, dizem, procede de Brahma e passa pelas diversas formas da matéria que evoluíram simultâneamente, começando, no mundo espiritual, pela forma mais elevada, e no mundo material, pela forma mais baixa. Esta última é desconhecida por enquanto pela Ciência moderna. Deste modo, cada uma das formas, mineral, vegetal e animal, encarcera uma centelha do Divino, um fragmento do indivisivel Purusha .

Estas centelhas batalham para "voltarem ao Pai" (para adquirir a auto-consciência6) e finalmente alcançarem a forma mais elevada na terra: a do homem, a única que lhes possibilita a auto-consciência. Calculado em escala humana de tempo, o período durante o qual se processa esta evolução abarca milhões de idades. Cada centelha de divindade, portanto, dispõe desta imensa duração para cumprir a sua missão, que é a de alcançar a auto-consciência completa, enquanto permanecer numa forma humana. Mas isto não significa que só o facto de encarnar-se numa forma humana confere à centelha divina a auto-consciência. Esta enorme tarefa pode ser cumprida pela centelha divina que já alcançou a forma humana, no decorrer do Manvantara, ou não, tudo dependendo da própria vontade e esforços de cada indivíduo.
Deste modo, cada espírito percorre o Manvantara , ou entra em manifestação, para o seu próprio enriquecimento e o do Todo. Desta maneira, Mahâtmâs e Rishis evoluem gradualmente durante um Manvantara, tornando-se assim, findo este, espíritos planetários guiando as evoluções de outros futuros planetas. Os espíritos planetários do nosso globo são aqueles que, em Manvantara anteriores, ou dias de Brahmâ, fizeram os esforços necessários para se tornarem Mahâtmâs no decurso daquele longo período.

Cada Manvantara existe para o mesmo propósito e tem o mesmo objectivo, de modo que os Mahâtmâs que já alcançaram aquelas alturas, ou aqueles que o alcançarão no decorrer do actual Manvantara, tornar-se-ão provavelmente os espíritos planetários do próximo Manvantara, neste ou em outro planeta. Poderá portanto deduzir-se que este sistema está baseado na identidade do Ser Espiritual, e constitui, sob o nome de "Fraternidade Universal", a idéia cardeal da Sociedade Teosófica, cuja meta é a realização desta Fraternidade entre os homens. Os Sábios dizem que o Purusha está na base de todos os objectos manifestados. Sem ele, nada poderia existir nem manter-se coeso. Ele penetra tudo em toda parle. Ele é a realidade da qual, ou sobre a qual, as coisas que consideramos reais não passam de meras imagens. Visto que Purusha atinge e abrange todos os seres, eles estão todos interligados; e, no plano de Purusha, existe uma perfeita consciência de todos os actos, pensamentos, objectos e eventos que poderão ocorrer naquele plano, no nosso, ou em qualquer outro. Porque abaixo do Espírito e acima do intelecto há um plano de consciência onde são gravadas as experiências, e que geralmente designamos por "natureza espiritual" do homem, da qual se diz frequentemente que é tão susceptivel de ser cultivada quanto o corpo ou o intelecto. Este plano superior é o verdadeiro plano de registro de todas as sensações e experiências (embora haja outros), e às vezes é chamado de "mente subconsciente". A Teosofia, no entanto, afirma que é um uso impróprio de termos o dizer-se que é possivel cultivar a natureza espiritual.
A meta real a ter em vista, é a de abrir a natureza inferior à natureza espiritual, torná-la permeável à influência superior, de modo que a natureza espiritual possa irradiar através dela e transformar-se no seu guia e regente. Só se pode dizer que esta natureza é "cultivada" na medida em que ela poderá dispor de um veículo preparado para tal fim. Dir-se-ia que o homem real, que é o Eu superior [NDT: "Higher-Self" em Inglês, ou "le Soi Supérieur" em Francês] -ou a centelha do Divino acima referida-, assombreia o ser visível, que tem a possibilidade de unirse àquela centelha. Por isso se diz, que o Espírito superior não está no homem, mas acima dele. Ele está perpétuamente em paz, é impassivel, ditoso e pleno de saber absoluto. Compartilha constantemente o estado divino porque o é ele próprio e, "em comunhão com os Deuses, nutre-se de Ambrósia". O objectivo do estudante é permitir que a luz deste Espírito resplandeça através dos invólucros inferiores.

Esta "cultura espiritual" só pode ser alcançada a partir do momento em que os interesses mais grosseiros, as paixões e as exigências da carne se subordinem aos interesses, às aspirações e às necessidades da natureza superior; isto é uma questão de sistema e de lei estabelecida.

O Espírito só pode comandar a partir do momento em que, intelectualmente, o homem firmemente reconheça, ou admita, que só ELE, o Espírito, existe. E sendo ele não só a pessoa em questão mas também o TODO, como já antes referido, qualquer egoísmo terá que ser eliminado da sua natureza inferior antes de poder alcançar o seu estado divino. Enquanto subsistir o menor desejo pessoal ou egoísta, nem que seja o de obter sucesso espiritual em proveito próprio, o fim desejado esquivar-se-á. A expressão "exigências da carne", portanto, abrange desejos que não são apenas os da carne, e seria mais apropriado falar em "desejos da natureza pessoal, inclusive os da alma individual".7

Quando sistemáticamente treinados de acordo com o sistema e a lei acima referidos, os homens adquirem uma visão clara e penetrante no mundo espiritual imaterial; as suas faculdades internas apreendem a verdade tão imediata e prontamente quanto as suas faculdades físicas percebem os objectos dos sentidos, ou as suas faculdades mentais apreendem os da razão. Ou, citando as palavras de alguns deles que são "capazes de ver directamente as idéias"8; por isso, o testemunho destes seres a respeito desta verdade é tão digno de confiança quanto o dos cientistas, ou o dos filósofos, nas suas especialidades respectivas.

No decurso deste treino espiritual, tais homens adquirem a percepção e o controle de diversas forças da Natureza, desconhecidas de outros homens, e são capazes de produzir efeitos habitualmente chamados de "milagrosos", embora estes não sejam na realidade mais do que o resultado de um maior conhecimento da lei natural. Sobre o que são estes poderes, ler "Yoga Philosophy" de Patañjali.9

O testemunho destes seres sobre a realidade suprasensível, comprovado pela posse de tais poderes, deveria suscitar um exame honesto por parte de cada espírito religioso.

Considerando agora o sistema exposto por estes Sábios (Sages), encontramos em primeiro lugar um relato da cosmogonia, o passado e o futuro desta terra e de outros planetas, e da evolução da vida através das formas, elemental10, mineral, vegetal, animal e humana, como se lhe chamam.

Os "elementais de vida passiva" [deste sistema] são desconhecidos da Ciência moderna, que chega a postular algo próximo: a existência de um agente material subtil na produção da vida, ao passo que eles são precisamente uma forma da própria vida.

Cada kalpa11, ou grande período, divide-se em quatro idades, ou yugas. Cada yuga dura milhares de anos e possui uma característica predominante. Estas quatro idades são12: o Krita ou Satya yuga (ou idade da verdade), o Tretâ yuga, o Dvâpara yuga e o nosso Kali yuga (ou idade da escuridão), que começou há cinco mil anos13. O termo "escuridão" refere-se à natureza espiritual, não ao aspecto material. Nesta idade, Kali yuga, no entanto, todas as causas produzem os seus efeitos muito mais rapidamente do que em qualquer outra: isto deve-se ao ímpeto do poder do "mal", à medida em que as pulsações deste ciclo o aproximam de um novo ciclo da verdade [Satya yuga]. Assim, um ser que ama sinceramente a raça humana pode fazer mais em três encarnações no decorrer do Kali yuga, do que faria num número muito maior delas em qualquer outra idade. A escuridão desta idade nào é absoluta, mas é maior do que a das outras idades. A sua principal tendência aponta no sentido da materialidade, embora seja ocasionalmente moderada por alguns progressos éticos ou científicos, que contribuem para o bem-estar da raça14, eliminando as causas imediatas de crimes e de doenças.

A nossa terra faz parte de uma cadeia de sete planetas (ou globos15), sendo ela a única que está no plano visível, enquanto as outras estão em planos diferentes e são, por conseguinte, invisíveis (os outros planetas do nosso sistema solar pertencem cada um a uma cadeia septenária16). A vaga de vida desce do planeta mais elevado para o mais baixo desta cadeia [terrestre] até chegar à terra; em seguida, ela sobe passando pelos outros três planetas no arco oposto, repetindo isto sete vezes [NDT: completando assim uma ronda]. A evolução das formas coincide com este progresso, pois a maré de vida traz consigo as formas mineral e vegetal, até que cada globo, por sua vez, esteja pronto para receber a onda de vida humana. A terra é o quarto destes globos.

A humanidade passa de globo para globo numa série de "rondas", percorrendo primeiro ciclicamente cada globo e reencarnando nele um determinado número de vezes. Quanto à evolução humana nos planetas ou globos invisíveis, pouco se pode dizer. Devemos limitarnos apenas à terra. Quando esta foi atingida da última vez pela onda humana (nesta nossa Quarta Ronda), começou a despertar a evolução do homem, subdividindo-o em raças diferentes. Cada uma destas raças, depois de ter alcançado, através da evolução, o período conhecido como "momento [decisivo] da escolha", e ter decidido o seu futuro destino como raça individual, começa a extinguir-se. Ademais, as raças estão separadas uma da outra por catástrofes naturais, como a submersão de continentes e grandes convulsões terrestres. O desenvolvimento das raças coincide com o desenvolvimento de sentidos especializados; a nossa quinta raça já desenvolveu até hoje cinco sentidos.

Mais nos dizem ainda os Sábios [Sages], que as coisas deste mundo e os seres humanos estão sujeitos a leis cíclicas, e que a qualidade e a velocidade de progressão pertencendo a um dado ciclo não se podem obter num outro ciclo diferente. Estas leis cíclicas funcionam em todas as idades. À medida que as idades vão escurecendo, prevalecem as mesmas leis, apenas os ciclos são mais curtos, isto é: de maneira absoluta têm o mesmo comprimento, mas percorrem a distância em menos tempo. Estas leis impõem limitações ao progresso da humanidade. Num ciclo onde tudo é ascendente e descendente, os Adeptos têm que esperar pelo momento oportuno para poderem ajudar a raça humana a elevar-se. Eles não podem nem devem interferir na lei kármica. Assim, eles voltam activamente a trabalhar, no sentido espiritual, quando sabem que o ciclo está a chegar ao seu momento decisivo de virada.

Além disso, estes ciclos não têm linhas nem pontos de partida ou de origem bem definidos; um deles pode estar no fim, ou estar prestes a acabar, quando um outro já começou. Sobrepõem-se e fundem-se uns nos outros, como o dia e a noite; e só quando um acabou por completo, e que outro começou realmente a florescer, é que podemos dizer que estamos num ciclo novo. Pode-se ilustrar isto comparando dois ciclos adjacentes a dois círculos entrelaçados, a circunferência de um passando pelo centro do outro, de modo que o momento em que um acaba e o outro começa, corresponde à linha de intersecção das duas circunferências. Podemos também imaginar um homem cujo andar representa a progressão dos ciclos: o caminho percorrido corresponderá à distância coberta pelos passos, e o ponto mediano de cada passo representará o começo de um ciclo e o final de outro. Vejamos agora como o progresso cíclico é auxilliado, e como desta maneira o seu declínio é permitido. Quando o ciclo está a ascender, Seres altamente evoluídos (Jñânis em sânscrito) descem à terra vindos de outras esferas onde o ciclo é descendente, a fim de ajudarem também o progresso espiritual deste globo. Da mesma forma, eles abandonam a nossa esfera quando o nosso ciclo está no ponto de escurecer. Estes Jñânis não devem todavia ser confundidos com os Mahâtmâs e os Adeptos já mencionados. O verdadeiro objectivo de todos os teósofos sinceros deveria ser por conseguinte de viver de maneira a que a sua influência possa conduzir à dispersão da escuridão, fazendo com que estes Jñânis possam voltar de novo à Terra17.